Posts de ‘Artelharia’

Uma Tentativa Interrompida

Tinho está com exposição nova, a ”U.T.I”, na galeria Cartel011. Em três perguntas ele fala sobre a indiscrição da censura ainda nos dias de hoje e as chagas que perseguem o graffiti em São Paulo. Essas referências e outras mais ligadas à arte de rua e a condição de vida do brasileiro  são os pilares da exposição conhecida também como ”Uma Tentativa Interrompida” ou “Urtigas Também Incomodam”.

? | Que tipo de censura mais te surpreende em “tempos modernos” como os que vivemos?
A censura de coisas mais banais e que ocorrem o tempo todo, seja por tradição ou costume, ta ligado? Por exemplo, galera fez um trabalho bacana com o Criança Esperança na Brasilândia durante o último Pan. Cada um tinha que retratar uma modalidade esportiva olímpica e escolhi o tiro. Fiz ao lado de um amigo que grafitou a corrida. Eles cobriram a imagem, pois acharam pesada para a Brasilândia. Não acho que adianta falar de Olimpíada se a criança brasileira pratica o tiro de uma forma diferente da criança européia. Só pra avisar, que isso não é uma crítica ao Criança Esperança, o projeto era bacana. Houve outra situação que ocorreu no Clube Escola Jardim São Paulo. Fiz uma fita mostrando que todo mundo fala de reciclagem e não recicla nada, que fica só no discurso. Pra mim, são paradas normais e que todo mundo fala, o discurso está até gasto, está velho. Só que a imagem é outra parada, a galera não está acostumada e para pra olhar e pensar.

? | A arte de rua sofre censura hoje?
Sofre pra… O Kassab apagou diversas paredes ao pintá-las, principalmente com a lei Cidade Limpa. Agora, isso deu uma aliviada. A censura está em todo lugar, na galeria, no seu trabalho. Sempre tem alguém pra vetar algo que você gastou mó energia.

? | Que fato na sua vida foi “Uma Tentativa Interrompida”?
Além de todos esses que já citei, tem várias situações, ainda mais quando você quer mudar o mundo pra melhor. Se a discussão for um pouco mais acalourada, ninguém quer falar. É o velho ditado de que Política, Religião e Futebol não se discutem.

U.T.I – TINHO “Walter Tada Nomura” – Cartel011
16 a 23 de junho
Horário: de segunda-feira a sábado, das 10h às 20h
Local: Cartel011 – Rua Artur de Azevedo, 517, Pinheiros
Telefone: (11) 3081-4171

Os “Selected Works” de Keith Haring

De um ano para cá vem aumentando significativamente as exposições de grande porte de street art. No MASP aquela galerinha da Choque Cultural fez o maior barulho, chamou a atenção da mídia e abriu um precedente para que museus se tornem mais aberto para a produção dos grafiteiros brasileiros. Daí teve também a “Vertigem”, a expo pop do’s gemeos, na FAAP, que tinha filas que viravam o quarteirão em seu último final de semana. Agora a partir do dia 31 de julho a Caixa Cultural São Paulo vai receber uma enorme exposição sobre o artista que viveu seus anos áureos entre 1980 e 1990. Intitulada “Selected Works”, todas as obras são inéditas no Brasil.

Segundo a curadora da exposição, também será exposto objetos pessoais de Haring como tênis, seu passaporte e skates desenvolvidos por ele. Interessante, não? Artisticamente falando, Haring tem uma técnica bem diferente do graffiti que vemos no Brasil. Tem mais a ver com o que o Rui Amaral fez ali no túnel da Consolação: desenhos de linhas mais simplistas, com cores contrastantes e representações literais. Mas tem sua enorme relevância por ser um dos precursores do graffiti em Nova York nos anos 1980. Tinha graffiti do cara por todos os trens da cidade!

Serão 55 serigrafias, 9 gravuras, 29 litografias e 1 xilogravura, totalizando 94 obras nunca vistas no Brasil. É o tipo de exposição que não dá para ficar sem ver, afinal é um grande número de trabalhos, difícil ver tanta coisa assim junto denovo.

Stickers em Paris

Na França: Eric Marechal não se cansa de divulgar o nosso graffiti. No Brasil: adotou a Rua Augusta como espaço urbano para colar lambes. Pouco mais de seis meses atrás organizei a exposição Street Art Sem Fronteiras, um projeto do fotógrafo francês Eric Marechal, que faz um intercâmbio de lambes por vários países, colando obras de artistas pelos muros do mundo. A exposição aconteceu no Z Carniceria e no “El Silencio” do Vegas e expunha também fotos das intervenções de Eric.

Nesse momento me envolvi ainda mais com o graffiti de São Paulo e fiz alguns adesivos da Dona Augusta. Parte do que produzi deixei com Eric. Tempos depois ele me enviou uma foto com um mural de stickers gigante que ele havia feito. O da Dona Augusta estava lá no meio…



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