Posts de ‘Hurbano’
Ocupado
Sempre fui fascinada por construções decrépitas do centro de São Paulo. As primeiras que vi eram os cortiços do bairro da Liberdade, Glicério abaixo, onde moravam milhares de famílias – nem sempre de descendência japonesa – que buscavam lugares baratos e centralizados para viver. Aqueles becos, vilinhas e corredores que levam a pátios cheios de casas me traziam um espírito aventureiro e me davam a impressão de que brincar de esconde-esconde por aqueles meios era mais uma expedição histórica underground. Poças no chão. Fiação remendada. Minha mãe morria de medo.
E foi por isso que quando assisti a videoarte “OCUPADO” aí embaixo me senti denovo num daqueles prédios psicodélicos que eu conhecia, onde paredes brotam sem sentido, cômodos são sala+cozinha+quarto e têm cortinas cor de carne. O paredão foi feito em homenagem à copa, edição por Rodrigo Piza Levy, trilha sonora Instituto e Sabotage “Cabeça de Nego”.
OCUPADO from rodrigo piza levy on Vimeo.
Um (triste) retrato do Centro de SP
O crack invadiu São Paulo com tudo, se alastrou pelo centro e hoje todo bairro, mesmo na periferia, tem sua mini Cracolândia. Daria uma boa pauta falar desses bolsões de crack espalhados pela cidade e ainda não vi nenhuma matéria que abordasse esse problema. Esses dias assisti a um vídeo feito pelos fotógrafos Fernando Donasci e Paulo Whitaker, da Reuters, sobre o crack e as mulheres grávidas viciadas na pedra. Os bebês nascem viciados e têm até os sintomas de abstinência. Passaram um bom tempo rondando a região da Cracolândia para encontrarem locais escondidos para fazer filmagens dos usuários. Segundo o Donasci, se fossem descobertos suas vidas podiam correr risco. Escolheram hotéis e prédios abandonados na região e registraram o triste cotidiano de uma cidade que adoro. Me deixa triste ver a minha São Paulo tão entregue a um vício que surpreende, que não escolhe vítima. Abaixo, o vídeo produzido também pelo coletivo Garapa.
Cracolândia from Garapa on Vimeo.
Dona Augusta está de volta
Passadas as festas de final de ano, a folguinha merecida e as milhares de despedidas estou de volta. Demorou um pouco mas Dona Augusta mudou bastante, e este ano estão previstas mudanças para a home do site, além da nossa festa de 1 ano! Vamos? Em breve mais detalhes. O que quero então é desejar muitas e muitas festas a todos. Só o que eu quero este ano é que todos sejam felizes como estou sendo. Tô nesse ritmo há mais de um ano, de felicidades e realizações que não acabam mais e isso é apenas uma amostra de que a energia dos que me rodeiam está cada vez mais integrada com a minha – todo mundo em um círculo de felicidade.
Filosofias a parte, parece que este ano a balada vai ser mais interessante. Para aqueles que só cruzo andando madrugada a dentro pela Rua Augusta, ainda vamos nos trombar muitas e muitas vezes. Alguns costumes são de infância, como diz Mano Brown, “ninguém pode tirar de dentro dele a favela”. A Augusta não é a favela, mas é uma tribo fechada que existe muito, é cheia de trejeitos e que so fodam os outros. Meio egocêntrica talvez, mais fashionista nos últimos tempos, mas nunca vai perder o depp urban, o underground que a tornou o lugar especial que é.
Chega de baladas fechando as portas, chega de parede de tijolo interditando o lugar, vamos todos ficar na paz?!?! Boa proposta.
Obrigada a todos. Conhece o novo drink? Te deixa nas alturas e se chama 2010. Aprecie!

