Cenários de Matthias Weischer
O alemão Matthias Weischer buscou na arquitetura suporte pra sua obra: ambientes decorados, claustrofóbicos, psicodélicos e cheios de caracteres. Prendem a atenção por um bom tempo. Quando vi o “Quarto Egípcio” gastei minutos observando o piso sem padronagem que combina muito com todo o resto, que também não segue padronagem alguma. Aliás, padronagem não é bem o tipo de coisa que ele costuma usar em suas obras.

No Egyptian Room também presto atenção na forma como ele usa a perspectiva. Nos azulejos retrôs da parede da direita, ao cesto que está sobre um ladrilho transparente, e a mesa comoque puxada em direção à varanda. Do lado de fora, dunas e palmeiras tão simétricas e estáticas que se distanciam absurdamente do real.

Este quarto claustrofóbico, “Untitle”, é a mostra de que se por um lado Matthias pode construir espaços suntuosos egípsios, também pode retratar um cômodo de carpet velho, luzes improvisadas e com um varal na parede: um ambiente precário, sem contar em objetos não-identificados jogados pelo cenário. A mesa fica sobre um tapete remendado, que não se define como um móvel de canto ou de jantar. Os pés são baixos o suficientes para se imaginar apenas um apoio mas a largura denuncia uma intensão de pessoas ocupando lugares na mesa redonda. O telefone no batente da porta dá a deixa para imaginar se o próximo ambiente seria uma cozinha antiquada de azulejos encardidos.

O “Living Room” de Matthias Weischer é simples, mas também brinca com as palmeiras e as cores de areia do lado de fora da varanda. Me parece confusa a decoração interna, já que as flores na beirada da varanda parecem aquelas de jardins externos, mas que nesta imagem são colocadas dentro de um ambiente fechado. Os nichos com livros nas paredes são detalhe bem legal.

A cortina vermelha parece dar para aqueles cômodos separados apenas por cortinas, algo que me lembrou um puteiro pobre abafado. A pintura na parede é um portalpara o mundo da natureza e de brisa fresca.

Uma escultura inusitada no meio da sala da “Família O-Mittang” e os insistentes retângulos da imagem são a mensagem principal do artista. Janela retangular, quadros, lareira, tapete, porta e o próprio parapeito que abriga vasos de Espada de São Jorge. Os pés de uma mesa surrealistas estão no canto direito.

Se chama “House” mas retrata dois prédios que têm como cenário de fundo um caminho dark assustador. Uma chaminé entre os prédios, típica de indústria, confunde um pouco mais do que Matthias chama de casa. mas presta atenção porque pirei nas pastilhas da lateral do prédio. Muito real. Adoro pastilha de vidro.
Aqui embaixo uma matéria inglesa sobre uma exposição de Weischer, com entrevista.
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