Oasis, palavrões, chuva e sorvete de limão
Não sei se os deuses quiseram castigar alguém, mas foi caindo a noite, e com ela também a chuva no dia do show do Oasis, um dèjavu do último show da banda no Brasil, só que em menores proporções. Chegando pela rotatória não havia ainda muito trânsito, mas um bando de gente se aglomerava em frente ao portão 30, o famigerado. Todo mundo estava atrás do portão 30, e as capinhas de chuva predominavam no figurino de meninos e meninas. Entramos.
Fila, segurança, pega o ingresso, mostra a carteirinha, guarda a carteirinha, ascende um cigarro, a mulher me revista, pede para abrir a caixinha de halls, passa, cadê o Rodrigo, destaca o ingresso, encontra o Rodrigo, guarda o comprovante. Pronto. Tome chuva.
Não era um dos mais esperados, mas o show do Cahorro Grande surpreendeu. Uma galera pulava cantando as letras, outros dançavam animadinhos, sem dar muito o braço a torcer, mas a presença de palco dos caras estava boa, mesmo quando o som falhou no meio da música e eles tiveram que terminar de tocar só para os queridinhos da pista vip (e eu não vi nenhuma matéria sobre o show que falasse dessa pane, acho que merecia umas linhas). E tome chuva na cabeça. Foi no show do Cachorro Grande que ela castigou de verdade, deixou todo mundo ensopado.
Se imaginar um típico show de rock, com chuva vertical, num frio egoísta que congelava a espinha vai saber o que foi aquela noite. Foi com essa energia que o Oasis entrou no palco. Mas quando a chuva parou parte do entusiasmo da platéia também foi embora, e o que sobrou foi Wonderwall em uma voz não tão bonita quanto a dos velhos tempos de Liam. As críticas se derreteram mesmo foi com o irmão mais velho Noel cantando, e não é clichê dizer que Don’t Look Back In Anger foi a melhor canção da noite.
Detalhe engraçadíssimo foi a atitude de Liam ao final de uma das músicas. Como já tinha terminado de cantar, se dirigiu ao canto do palco, ficou de costas para a platéia e aguardou o final da performance de seus companheiros, como se também fosse um espectador. Ele está ali para cantar e ponto final. Tudo o mais que disser vai ser reduntante, porque todos já sabem sua fama de arrogante.
Mesmo debaixo de chuva um pessoal ainda passava um baseado (japoninja, que não apagava) e um grupo de quatro amigos doidões de ácido pulando e gritando sem parar “Oasiiiiiiiiiiiis”. Todo mundo muito a vontade, e isso que é interessante em shows. As pessoas são tomadas por um sentimento de amizade, porque sabem que têm algo em comum, estão lá para a mesma coisa. Uma garota que chegou já papeando disse que adorava o Liam porque ele tinha cara daqueles caras que fazem um sexo gostoso. Boa, viajou, mas mandou bem no elogio sem dar uma de tiete, que acho nada a ver.
Achei engraçado ver umas meninas promoters de uma rádio distribuindo sorvete em frente a uma das entradas. Fico me perguntando o que soa mais estranho: uma rádio ir fazer auê no show do Oasis (porque anda em crise a programação de rock mais atual) ou se era o sorvete de limão (que não tem nada de rock’n roll, principalmente debaixo de chuva).
O Oasis tem um público legal, de roqueiros tranqüilos, que no máximo se excedem na bebida. Aquela multidão vestida de preto curtiu o show, mas não se animou de verdade. A platéia paulistana é uma das mais legais do Brasil, que sabe curtir bem, exigir performances e ovacionar artistas na hora certa durante um show, e talvez seja por isso que estivesse tão calma. Talvez os tempos para o Oasis tenham mudado e a empolgação já não seja mais a mesma – tanto da banda quanto da platéia.
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È eu fico muito desanimado quando comparo os primeiros cds do oasis com os com os 2ultimos que eles lançaram, a banda já não é mais a mesma, apesar do Noel continuar se mostrando um exelente guitarrista e compositor em alguns momentos a voz do Liam já não é mais a mesma de antes e a banda também não demonstra a mesma animação de antigamente,apesar dos menbros da banda contribuirem muito nas gravações dos cds as composiçõe e tudo mais além dessa nova formação da banda,será que o Oasis vai voltar realmente?!