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Arte Urbana no MASP
Uma semana após a vernissage da exposição “De Dentro Para Fora/De Fora Para Dentro”, fui visitar novamente o espaço para rever com calma todas as milhares de obras que ocupam o subsolo do MASP. Parei para ler o caderno de anotações de Carlos Dias, usado como objeto de composição de um painel gigante próximo à porta de entrada. Tinha de tudo, desde telefones até aqueles rabiscos que fazemos para testar caneta velha.
Titi Freak dispensa qualquer comentário, pois polemizem ou não, as telas que ocupavam aquele interior do paredão de 7m de altura eram cobiçadíssimas por Dona Augusta. Algumas eram velhas conhecidas, receberam flertes mas ainda continua na Choque Cultural (como “my feeling, your feeling”, “suspeito” e “plural II”). A sala com a instalação da cruz de Stephan é chocante de início, mas a iluminação e o branco tiram o pesado do clima. Na verdade, a obra de Stephan não é pesada, como muita gente pré-julga logo ao ver os demônios, chifres de bode e símbolos da alquimia. É algo que lembra o patriarca da família Buendía, de Cem Anos de Solidão: as tradições estão presentes, a crença, a fé, mas cheia de detalhes e desvios no curso do rio que levam ao quase místico old school. E nada mais revelador do que os rascunhos de Calma expostos para quem quiser ver de onde surgem suas telas.
Ramon Martins aproveitou bem os espaços, mas não entendi bem bem as instalações, ou estava distraída demais com tantas coisas para olhar. Mas em questão de stencil, ninguém ganha do grande OZI, desculpem. Melim, que fez aquele painel com as duas meninas de cabelos castanho claro, apresentou muito bem o trabalho, ainda mais com as formas contorcidas que se derramavam pelo chão do museu. Legal ver as fotografias de galerias de esgoto dos trabalhos do Zezão, e ainda mais porque elas foram impressas no mesmo estilo de material que as fotos da exposição organizada pelo Dona Augusta, Street Art Sem Fronteiras.
Aqui, fotos do dia do lançamento da exposição. Baixo Ribeiro só vi no Vegas, na festa pós-vernissage, que rolou a partir das 23h e bombou até quase quatro da manhã.
26ª Casa de Criadores
A Casa de Criadores têm trazido novidade em todas as edições, mas este ano o Mr. Hidalgo organizou uma passarela-asfalto, que começa no Largo do Arouche e vai até o Parque da Luz, onde acontece o desfile das Gêmeas, às 17h. A nova atração se chama Fashion Mob e acontece no dia 22 de novembro, domingão, a partir das 13h. Fique esperto e veja as três categorias estebelecidas: manifestação artística, manifestação política e manifestação de moda. Tudo com o objetivo de abrir as portas para novos artistas. Não é necessário ter marca própria, estabelecida em mercado, apenas ser muito bom nos devaneios e delírios criativos.
Os influenciados pelo som indie, britânico e electro que arriscam sacadas nas guitarras e baterias podem inscrever suas bandas para participarem da terceira edição do Festival de Música Casa de Criadores, inscrevam-se no www.myspace.com/casadecriadores. Quatro bandas serão selecionadas para tocar ao final do Fashion Mob.
Programação completa da Casa de Criadores:
22 de novembro (domingo)
Fashion Mob – Largo do Arouche (concentração) – das 13h às 14h30 Desfile Gêmeas – Parque da Luz* – 17h
Festival de Música Casa de Criadores – Parque da Luz – 18h
* Os eventos no Parque da Luz ainda estão sendo negociados com a prefeitura de SP
23 de novembro (segunda-feira)
Desfile Walério Araújo – Museu da Língua Portuguesa – 21h
24 de novembro (quarta-feira)
Lições da Casa – Palestra Macro Tendências de Consumo – Pinacoteca – 14h30
Lições da Casa – Debate “Crítica da Crítica” – Pinacoteca – 16h
Happening oNONO – Cartel – 21h
25 de novembro (quarta-feira)
Lições da Casa – Palestra “Em Cartaz: Comédia da Moda Privada” – Pinacoteca – 14h30
Lições da Casa – Debate “Caos por M2″ – Pinacoteca – 16h
Desfiles – Shopping Frei Caneca – 21h:
João Pimenta | Milena Hamaní | Ronaldo Silvestre | No Hay Banda | R. Rosner | Urussai
26 de novembro (quinta-feira)
Lições da Casa – Palestra “Crise: Material Reciclado?” – Pinacoteca – 14h30
Lições da Casa – Debate “Do Casebre ao Casarão” – Pinacoteca – 16h
Desfiles – Shopping Frei Caneca – 21h:
LAB (Karin Feller, Danilo Costa, Projeto Box, Jadson Raniere e Arnaldo Ventura) | Ianire Soraluze | Der Metropol | Marcelu Ferraz | Tony Jr. | Rober Dognani
27 de novembro (sexta-feira)
Desfiles – Frei Caneca – 21h
Ponto Zero (Leandro Gabionette; Ana Paula Becker; Bruno Campos; Alice Sinzato e Helena Kussik; Cynthia Hayashi; Cristiane Soares; Ana Beatriz Leme e Claudia Yasumura) | Geraldo Couto | André Phergom | Diva | Prints I Like | Purpure | Gustavo Silvestre
Bernaaaardo!
O Negão mais lado B da música está na área. Dia 10 de outubro ele e os Seletores de Frequência vão se apresentar na Rua Augusta com promessa de músicas novas no repertório. Não esqueça o compromisso, Dona Augusta também estará lá para ouvir os novos sons que BNegão promete apresentar nos palcos do Studio SP. Depois de um almoço no Gopala Madhava, ele sentou com Dona Augusta para bater um papo antes de sair correndo em direção ao aeroporto em direção a Goiânia. Fala Bernardo!
Em que lugares você já tocou aqui pela Augusta BNegão?
Há tempos já toquei no Sarajevo, discotequei recentemente no Tapas e sempre estou fazendo alguma coisa no Hole, acho que é o lugar mais top da Augusta, e engraçado que é do lado de lá [Jardins]. É referência, vou direto e sempre que vou saio de lá cheio de ideias, fico ouvindo o som, como se fosse um mantra. Já fiquei hospedado na Augusta muitas vezes, inclusive na época que não tinha nada por aqui. Às vezes eu até peço para ficar perto porque também curto muito o Gopala, venho de qualquer canto para almoçar aqui.
E o que vai rolar nesse show do dia 10, no Studio SP?
Eu e os Seletores de Frequência tocamos o repertório do CD Enxugando Gelo e mais três músicas. Agora estamos gravando um CD novo, anteontem fiquei 10 horas em estúdio terminando mais uma música. Agora a gente vai tocar essas quatro além do Enxugando Gelo. Fora as músicas que são de outros caras e a gente toca quando dá vontade, quando a gente ensaia… Rola de tudo, até The Specials, Tim Maia…
E tu vai lançar por algum selo esse CD novo?
Vamos lançar num esquema de banca de jornal mesmo, em uma revista de skate, porque assim o CD chega de verdade nas pessoas. Com o Turbo Trio a gente fez um puta CD, mas a galera não comprou. Na banca você consegue espalhar tua música. Agora o pessoal conhece mais os Seletores e os shows estão lotando mais do que na época que lançamos o disco, porque agora as pessoas já conhecem mais o trabalho. Mas o disco estourou primeiro na gringa mesmo, Barcelona, Londres… Comecei com essa ideia de sair do circuito fonográfico antes de as gravadoras ficarem nessa de “mulheres e crianças primeiro” [falando do crescimento de cantoras e adolescentes novos lançando CD].
Como você chegou a São Paulo heim Bernardo?
O primeiro show que eu vim fazer em São Paulo foi com o Planet Hemp, em 1994, no Aeroanta [O Aeroanta era uma casa de shows clássica no Largo da Batata por onde passaram várias bandas do círculo alternativo paulistano.]. Tinha 10 pessoas na plateia, um era amigo da banda, daí tinha a mulher de fulano, convidado do amigo… e o Fred 04, e de lá virou camarada. 3 meses depois eu ouvi falar de uma banda nova, que ia participar do Programa Livre, era a banda do Fred. Se fosse escolhida ia gravar uma faixa do CD do Programa Livre. E eu esperando para entrar de penetra do lado de fora, sem dinheiro como sempre. Encontrei o cara e começamos a fazer uma jam na rua mesmo. Depois chamaram a gente pra tocar lá dentro. Começamos meio assim.
Como se formou o Seletores?
Todo mundo é camarada, uma geração underground dos anos 90 na Tijuca, de antes do Planet Hemp. No Rio de Janeiro, a Rua Augusta é a Lapa. E lá também tem espaço para novas bandas, nos anos 90 tinha muito mais banda surgindo, quando se concentrava todo mundo na Rua Ceará, mas agora a Lapa é a Augusta carioca. Claro que o som que rola nas casas é 90% samba, acho que tem uma que toca funk, e o resto é tudo meio misturado, toca hip hop, rock, electro…
Foto post e home: Ariel Martini

