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Os “Selected Works” de Keith Haring

De um ano para cá vem aumentando significativamente as exposições de grande porte de street art. No MASP aquela galerinha da Choque Cultural fez o maior barulho, chamou a atenção da mídia e abriu um precedente para que museus se tornem mais aberto para a produção dos grafiteiros brasileiros. Daí teve também a “Vertigem”, a expo pop do’s gemeos, na FAAP, que tinha filas que viravam o quarteirão em seu último final de semana. Agora a partir do dia 31 de julho a Caixa Cultural São Paulo vai receber uma enorme exposição sobre o artista que viveu seus anos áureos entre 1980 e 1990. Intitulada “Selected Works”, todas as obras são inéditas no Brasil.

Segundo a curadora da exposição, também será exposto objetos pessoais de Haring como tênis, seu passaporte e skates desenvolvidos por ele. Interessante, não? Artisticamente falando, Haring tem uma técnica bem diferente do graffiti que vemos no Brasil. Tem mais a ver com o que o Rui Amaral fez ali no túnel da Consolação: desenhos de linhas mais simplistas, com cores contrastantes e representações literais. Mas tem sua enorme relevância por ser um dos precursores do graffiti em Nova York nos anos 1980. Tinha graffiti do cara por todos os trens da cidade!

Serão 55 serigrafias, 9 gravuras, 29 litografias e 1 xilogravura, totalizando 94 obras nunca vistas no Brasil. É o tipo de exposição que não dá para ficar sem ver, afinal é um grande número de trabalhos, difícil ver tanta coisa assim junto denovo.

Ocupado

Sempre fui fascinada por construções decrépitas do centro de São Paulo. As primeiras que vi eram os cortiços do bairro da Liberdade, Glicério abaixo, onde moravam milhares de famílias – nem sempre de descendência japonesa – que buscavam lugares baratos e centralizados para viver. Aqueles becos, vilinhas e corredores que levam a pátios cheios de casas me traziam um espírito aventureiro e me davam a impressão de que brincar de esconde-esconde por aqueles meios era mais uma expedição histórica underground. Poças no chão. Fiação remendada. Minha mãe morria de medo.

E foi por isso que quando assisti a videoarte “OCUPADO” aí embaixo me senti denovo num daqueles prédios psicodélicos que eu conhecia, onde paredes brotam sem sentido, cômodos são sala+cozinha+quarto e têm cortinas cor de carne. O paredão foi feito em homenagem à copa, edição por Rodrigo Piza Levy, trilha sonora Instituto e Sabotage “Cabeça de Nego”.

OCUPADO from rodrigo piza levy on Vimeo.

Stickers em Paris

Na França: Eric Marechal não se cansa de divulgar o nosso graffiti. No Brasil: adotou a Rua Augusta como espaço urbano para colar lambes. Pouco mais de seis meses atrás organizei a exposição Street Art Sem Fronteiras, um projeto do fotógrafo francês Eric Marechal, que faz um intercâmbio de lambes por vários países, colando obras de artistas pelos muros do mundo. A exposição aconteceu no Z Carniceria e no “El Silencio” do Vegas e expunha também fotos das intervenções de Eric.

Nesse momento me envolvi ainda mais com o graffiti de São Paulo e fiz alguns adesivos da Dona Augusta. Parte do que produzi deixei com Eric. Tempos depois ele me enviou uma foto com um mural de stickers gigante que ele havia feito. O da Dona Augusta estava lá no meio…



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