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Maquinando o que vai fazer hoje?

Hoje tem show do Maquinado no Studio SP, uma das melhores alternativas para ver shows na Rua Augusta no momento. Sempre traz bandas legais e cobra preço justo, bem mais baratos do que ingressos em casas de shows mesmo. Nunca vi um show do Maquinado mas acompanho a banda desde seu começo e hoje quero ver ao vivo como ficam as canções do CD novo deles, o Mundialmente Anônimo. É liderada por Lúcio Maia, do Nação Zumbi, que neste projeto consegue fazer um som mais pesado, abusar mais da guitarra e cantar com mais segurança do que no cd anterior, Homem Binário.

Uma das faixas que mais acho curiosa é “SP” pelas guitarras irritadas, pela batida mais densa e pelas sirenes de fundo. Recife é a casa do Maquinado, mas São Paulo representa um cenário muito importante não só para a banda mas como para muitos músicos pernambucanos. São Paulo acolheu com tanta sede a música de mangue, de frevo, a rabeca e Chico Science que hoje quem canta músicas de bandas pernambucanas brinca que canta pernambuquês.

O Mundialmente Anônimo está disponível para download aqui e o Homem Binário aqui.

Maquinado – Studio SP
Rua Augusta, 591
R$25/R$15 Lista
Porta 23h/Show 1h

Apavora mas não assusta

Nunca imaginei que poderia rolar um carnaval tão bem organizado no Baixo Augusta. Bem onde as coisas são meio caóticas, onde bares abrem e fecham entopidos, música na rua, segurança tatuado, fumantes expulsos pitando do lado de fora, puteiros, putas… Pensando assim até que a Rua Augusta tem meio que um jeitinho de quarta-feira de cinzas constante…

Fiquei sabendo pela comunidade do Facebook, depois choquei com o aviso piscando no site do Studio SP. Como assim? O ensaio geral vai ser no Studio SP, dia 31/01, com presença do DJ samba-nego Tata Aeroplano (que não samba porque amassa o terno), Orquestra S.A.G.A e Samba da Laje para ninguém se confundir e errar o passo.  R$20 viu.

Junio Barreto lindo e fã de carnaval como é adorou a ideia. Não vai estar aqui em São Paulo mas deixou recado no Facebook já se candidatando à puxador do samba-enredo do ano que vem. Ele e toda aquela galera de Pernambuco já deram a letra que antes do Carnaval ninguém toca por aqui. Em Recife e Olinda a coisa está pegando fogo, RecBeat começando no dia 13 de fevereir, passagens de avião saindo de São Paulo a partir de R$1500 e assim vai. Ninguém é bobo de querer tocar na cidade de concreto e aço antes do verão acabar.

Vai ser uma parceria com o Sonique. Todo mundo saindo da frente da balada no domingo antes do Carnaval, e vem descendo até chegar no Studio SP. De graça, democrático, aberto a todo mundo.  Para quem conhece a festa O Bloco, de Wilson Simoninha, Max de Castro e Jair de Oliveira, vai entender bem o que será a banda composta por 10 metais e 5 percussões – a marchinha tradicional de carnaval será homenageada. Zeca Ratú vai criar o estandarte.

Augusta… Robusta… Me gusta… como dizem os foliões.

Aí vai a letra para ir ensaiando enquanto isso:

Alô Baixo Augusta, chegou a hora!!!

Meu prazer é consumado, quando desço da Paulista

Até a Martinico Prado

A cultura alternativa faz da noite paulistana o seu mundo encantado

Que legal, arretado…

O Baixo é uma eterna mistura, o Baixo é a terra da mistura mistura

Linda de ver, vem me dar um beijo

Augusta, robusta, me gusta…

Você apavora, mas não assusta

Apavora, mas não assusta

O carnaval do Baixo Augusta

Apavora, mas não assusta

O carnaval do Baixo Augusta

Iê Iê Iê

Arnaldo Antunes está lançando CD novo cheio de influências do brega e dos ritmozinhos tchururu, larara, uô uô uô em cima das composições sempre interessantes que escreve. Na verdade acredito que Arnaldo seja um grande letrista, e muito do que aconteceu com o Titãs foi graças às composições de sua mente insana. No palco ele também não manda bem, tem aquele cabelo cada vez mais trash raspado aleatoriamente e pula durinho pra tentar animar a galera.

Fui ver Arnaldo Antunes e Sacandurra no Studio SP ano passado e essa característistica ficou bem evidente, porque a cada dedilhar do Scandurra a galera ia abaixo, interagia, se arrepiava, mas por mais que as letras mais absurdas pudessem sair da boca de Antunes o pessoal não respondia tanto por sua genialidade, mas apenas por aquele resquício de respeito que todo mundo que gosta ou um dia gostou de Titãs tem pelo Arnaldo Antunes.

Tudo isso porque seus últimos trabalhos não são música de show. São cds para ouvir em casa, durante o trabalho e andando pela cidade, quando há tranquilidade para prestar atenção e refletir nas letras. Iê Iê Iê para mim é uma tentativa de Arnaldo de popularizar suas melodias com uma fórmula que já deu certo muitas vezes e maquear e pegar mais leve nas composições que ele sabe fazer tão bem. Claro, Arnaldo nunca vai deixar de escrever coisas geniais, mas só o título do disco já mostra que o que ele quer agora é fazer com que a cada acorde de suas músicas a plateia vá abaixo. Para ele acredito que seja um tanto estranho tal esforço, principalmente porque até hoje o sem vergonha não aprendeu a tocar nenhum instrumento, apesar de estar no mundo da música há muito tempo.

Arnaldo lança seu novo CD no Sesc Pompeia nos dias 15, 16 e 17 de outubro, na Choperia. Os ingressos já se esgotaram mas ainda dá para baixar o CD em qualquer lugar – ou comprar para variar. A arte da capa é ótima e acho que vale a pena ter em casa.

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